DESSENSIBILIZAÇÃO
Essa etapa da
educação, trata-se principalmente do comportamento tranquilo e seguro que o cão
deverá apresentar ao longo de sua vida, seja durante o trabalho e no seu
dia-a-dia.
Para
dessensibilização é necessário trabalhar o meio pelo qual capitamos suas
sensações. Os 5 sentidos. Através dos sentidos tanto os humanos quanto os cães capturam
o universo exterior, isto é, o que está fora de nós.
Quanto mais trabalharmos
para que o cão se “sinta” confortável, mais confiante o o condutor e o cão se
sentirão seguro para desenvolver as atividades exigidas na terapia assistida
por animais. Essa etapa devemos contar com a participação de vários auxiliares
que atuam como personagens do cotidiano vivido pelo animal.
Durante 5
semanas explicarei um pouco sobre cada sentido e como dessensibilizá-lo.
Começarei pelo sentido do OLFATO

Por possuírem
essa “super habilidade”, a dessensibilização deve ocorrer não só para inibir os
comportamentos mediante aos estímulos negativos, mas também aos estímulos
positivos. Isto é, o cão não pode repelir um assistido que está com um cheiro
forte de perfume, como também não pode desviar sua atenção para um cheiro de
comida que está no ambiente ao lado de onde ocorre a sessão de terapia
assistida.
Estímulos
negativos
Por serem
muito sensíveis, cheiros doces e fortes de perfume, são rejeitados pelos cães.
Aliás, o que consideramos cheiros agradáveis, na maioria são desagradáveis a
eles e cheiros que consideramos ruins, são muito bem vindos.
Bem, o ideal
é colocarmos sobre o ombro, uma toalha com um leve cheiro de perfume adocicado.
Depois, chamar o cão de forma bem carinhosa, pegá-lo no colo e abraça-lo de
forma que se sinta aconchegado. Pode ser no início, um abraço forte e rápido
uma vez ao dia. Caso ele não se incomode ou a partir do momento que deixe de se
incomodar, vá diversificando os cheiros e aumentando o tempo de permanência no
colo. Se o cão estiver rejeitando por 3 dias esse cheiro, o ideal é trocar por
um odor mais leve e gradativamente introduzindo cheiros mais fortes.
Além dos
cheiros fortes, o cão pode evitar cheiros que associados à determinada situação
vivida cause medo e insegurança. Se por exemplo, um cão apanhou muito de alguém
que exalava um determinado cheiro, ele pode vir a associar esse cheiro à ação
vivida no passado. Um outro exemplo mais comum é o cheiro existente em uma
clínica veterinária. Cães que passaram por tratamento doloroso dentro de uma
clínica, ele tende a sentir a mesma sensação de dor quando sente odores
semelhantes.
Nesses casos,
o ideal é fazer uma dessensibilização olfativa associada a dessesnsibilização
visual. Levá-lo uma ou duas vezes por mês a um veterinário amigo só para
receber afagos e petisco. Pode ser uma saída simples e que dá ótimos
resultados. Ter um veterinário que além de competente seja carinhoso é fundamental
para o cão terapeuta, pois ele o acompanhará durante anos.
Odores associados a
traumas: nesses casos, devemos perceber como funciona a memória do cão. Embora
existam poucos estudos, de maneira geral, a memória do cão é semelhante a do
ser humano, mas ele não tem a noção e a consciência de sua memória, mas sim das
mudanças fisiológicas que ocorre quando estão diante de uma situação vivida no
passado ou quando está aproximando determinada hora de sua rotina como por
exemplo a hora do almoço ou a chegada de seu dono. São processos
biológicos que se alteram(os cães podem usar os osciladores circadianos,
que são oscilações diárias de hormônios, temperatura corporal e atividade do
sistema nervoso, para saber quando é provável que a comida esteja na tigela ou quando
os donos voltarão do trabalho. Em vez de lembrar a quantidade de tempo entre as
refeições ou a hora em que elas são servidas, os cães reagem a um estado
biológico que eles alcançam em um determinado momento do dia. Então, todos os
dias eles reagem a esse estímulo da mesma maneira e no mesmo horário).fonte: http://casa.hsw.uol.com.br/cachorros-e-tempo1.htm - Autor: Jane McGrath
O importante na
dessesnsibilização olfativa é agir com muito carinho e confiança na hora de
introduzir o cheiro desagradável. No início ser o mais breve possível, mas que
tenha uma rotina diária. É importante que seja feito esse tratamento todos os
dias nem que seja por alguns segundos ou minutos. Se o cão não sentir aversão
pode ir trocando de cheiros, sempre com o objetivo de introduzir cheiros nos
quais vai vivenciar no trabalho terapêutico.
Estímulos positivos: o
ideal, para um cão terapeuta, é que ele não necessite de recompensas através de
petiscos, principalmente se o trabalho é em grupo. A comida quase sempre vai
ser mais importante do que o assistido. Existem muitos cães vorazes e só
funcionais se tiver um petisco.
Devemos lembrar-nos
da importância do trabalho de terapia assistida por animais que é a interação
entre o animal e o paciente. Qualquer ruído, qualquer interferência pode ameaçar
essa relação e o assistido ao invés de adquirir um sentimento profundo de
aceitação e de amor incondicional, pode se sentir preterido pelo petisco. O
ideal, caso o cão não consiga realizar as tarefas sem o petisco, é que o próprio
assistido o recompense. No início a cada atividade ele será recompensado, despois
após 2 atividades seguidas recebe a recompensa, até que o petisco será dado ao
cão somente no fim da sessão.
Veremos no próximo artigo
a importância da dessensibilização tátil. É através de um bom treinamento de
dessensibilização tátil que o profissional poderá fazer com que o cão se
desvincule dos petisco, pois ele aprenderá que o carinho e o afeto de estranhos
pode ser muito mais interessante que a comida.
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